“Vem! Mas demore a chegar/ Eu te detesto e amo/ Morte, morte, morte que talvez/ Seja o segredo desta vida…” O trecho é da canção Canto para minha morte, de Raul Seixas, do álbum Há 10 mil anos atrás, lançado em 1984. A morte, de fato, não demorou muito a chegar. Cinco anos após esta música, ela alcançou o Maluco Beleza, em 21 de agosto de 1989.

Há 30 anos Raul dos Santos Seixas deixou saudades em todos os amantes do rock, um dos pioneiros do rock no Brasil. Raul até hoje exerce influência em novos e antigos cantores, considerado por muitos o pai do rock brasileiro. Não a toa que ainda há a clássica pedida em vários shows de outros artistas: “toca Raul!”

Raul Seixas nasceu em Salvador (Bahia) em 28 de junho de 1945. No período da sua infância idolatrava o Rei do Rock, Elvis Presley, o qual tornou-se sua principal influência na carreira musical. Em 1967, decide estreiar carreira musical com o grupo formado por ele, Eládio Gilbraz, Mariano Lanat e Carleba, chamado Raulzito e os Panteras

Convidades por Jerry Adriani, Raulzito e os Panteras vão ao Rio de Janeiro para gravar o primeiro e único álbum do grupo. Na cidade maravilhosa, Raulzito passa por muitos perrengues, sendo até eternizados e sua música “Ouro de tolo”.

Dono de um estilo musical ímpar, Raul compõe Let me sing, let me sing, em 1972, em que o baiano mistura o estilo de duas figuras importantes em sua formação musical: o baião de Luiz Gonzaga e o rock de Elvis Presley. A canção chegou à final da última edição do Festival Internacional da Canção, em 1972, e revelou Raul Seixas ao público brasileiro.

Durante a década de 1970, Raulzito, em conjunto com Paulo Coelho, compõem grandes clássicos da música brasileiras como Gita, Tente outra vez, Eu nasci há dez mil anos atrás, entre outros. Ainda que este tenha sido o melhor período de Raul, foi também o mais complicado, afinal, a ditadura militar perseguia com afinco artistas e os censurava. Raul Seixas foi torturado nesta época e teve que ser exilado para os Estados Unidos. Lá ele, supostamente, encontrou-se com John Lennon.

Com a chegada dos anos 1980, sua carreira começa a declinar. O abuso do álcool e outras drogas tomam ênfase em seu dia-a-dia, a ponto do artista chegar bêbado para apresentar-se em shows. Apesar da má fase, ele ainda conseguiu emplacar músicas como “Carimbador Maluco”, gravada para o especial infantil da Rede Globo, Plunct, plact, zuuum; Metrô linha 743, canção com profundas críticas à ditadura militar “Eu quero é saber o que você estava pensando/ Eu avalio o preço me baseando no nível mental/ Que você anda por aí usando/ E aí eu lhe digo o preço que sua cabeça agora está custando”.

Já no fim de sua carreira, Raul se junta ao cantor Marcelo Nova, da banda Camisa de Vênus. Eles lançam juntos o último álbum da carreira do Maluco Beleza enquanto estava vivo, “A panela do diabo”, em 1989. Um verdadeiro sucesso em meio ao conturbado período dos anos 1980.

O último show do cantor foi na capital federal, uma semana antes de nos deixar para sempre. Raul Seixas foi encontrado morto no apartamento em que vivia em 21 de agosto de 1989, vítima de uma parada cardíaca, causada pela pancreatite aguda fulminante, herança deixada pele abuso do álcool e das drogas.

Mesmo morto, o Maluco Beleza permanece eterno. Ele, que já foi a mosca zumbizando em sua sopa, que reclamou só por reclamar, falou sobre disco voador e da metamorfose que era, e também garimpou ouro de tolo, permanece em evidência, seja nas trilhas sonoras das novelas, nos shows com os gritos “Toca Raul!” e tributos de artistas que foram e são influenciados por ele. Raul Seixas estava à frente do próprio tempo e nos deixou um legado que se encaixa perfeitamente na atualidade.

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