Uma pesquisadora do Paraná criou um projeto, o exoesqueleto, que devolve a muitas pessoas a esperança de voltar a andar. Após anos de estudos e pesquisa, ela desenvolveu o exoesqueleto – uma estrutura de ferro que pode ajudar pessoas paraplégicas a caminhar. Foram vários testes e tentativas até chegar ao modelo.

“Você vê que você tem a capacidade de preencher essa lacuna. Você vê que é possível fazer isso e aí só olha e fala: ‘vou'”, contou Michele. Como no laboratório estava tudo certo, era preciso um voluntário para ter certeza de que o exoesqueleto funcionava, e Alisson Maximiano Conceição topou a experiência.

Alisson conseguiu ficar de pé depois de cinco anos. Com a ajuda de muletas, ele também deu alguns passos. Ele perdeu os movimentos das pernas em um acidente de moto. Na época, ele tinha 22 anos.

“Quando você fica de pé, o pulmão incha, você consegue respirar. Parece que você não tem limites de novo”, comemorou Alisson.

O exoesqueleto foi criado por uma equipe multidisciplinar formada por engenheiros e desenvolvedores. Foi bastante tempo de preparação até que o Alisson usasse o aparelho.

“Teve toda aquela expectativa quando teve o convite de conhecer o equipamento, então, tem que ter todo esse cuidado no aspecto emocional do paciente porque isso pode gerar um grau de ansiedade muito grande, um estresse, e não é o que a gente quer. A gente quer que esse processo ocorra de maneira tranquila e pra desenvolver mesmo o bem-estar do paciente”, relatou a neurocientista.

A estrutura usada por Alisson não está completamente montada, pois, ainda faltam os motores, a bateria e algumas peças que já foram encaminhadas ao laboratório de robótica, onde o exoesqueleto final está sendo feito.

“Ele vem completo, já com carenagem, o controle tanto no equipamento quanto na muleta, também o controle por voz, porque a gente colocou o acionamento por voz e ele já vem como é o equipamento mesmo que vai ser comercializado”, explicou Michele.

O sonho da equipe é que o maior número de pessoas tenha acesso ao exoesqueleto. Os primeiros devem ser fabricados como pilotos para ajustar detalhes. “Esses pilotos vão ser liberados para venda. São pilotos que vão sair completos para o dia a dia, mas esses usuários vão passar pra gente como ainda poderia ficar melhor. A medida que a gente vai fabricando esses exos, a gente consiga uma demanda tão alta que a gente coloque pelo mesmo preço hoje de uma cadeira de rodas”, disse a neurocientista.

“Esse equipamento é para transformar vidas, é o que a equipe quer, e a gente sentiu isso no último teste [o Alisson]”, afirmou a psicóloga Vilma Lenzi.

“Quando foi colocado nele [Alissom] e ele deu os primeiros passos foi uma sensação de ‘e agora?’, dá aquela sensação ‘o que eu vou fazer agora?’. Eu não tinha o que fazer agora, eu só chorava”, relatou Michele.

O esqueleto externo é só um dos projetos da pesquisadora. Ela também pretende compartilhar com universidades e outros cientistas uma placa inteligente que pode ser a base para outras próteses.

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